O Rio Lis tem recebido novas visitas aladas — e bem vistosas. Desde março, um casal de patos-mandarim, conhecidos pela sua plumagem vibrante, tem sido avistado nas águas que atravessam o centro de Leiria, juntando-se aos já habituais patos-reais, garças e corvos-marinhos.
Considerado por muitos como “o pato mais bonito do mundo”, o mandarim é uma espécie originária do leste da Ásia e distingue-se pelas cores exuberantes do macho, em contraste com o tom acastanhado da fêmea. Esta presença pouco comum revela algo importante: o Rio Lis está a melhorar.
Um sinal positivo para o ecossistema
Segundo Mário Oliveira, presidente da Oikos – Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria, a chegada de novas espécies é um “bom indicador”.
“O ecossistema está a melhorar porque a água também está melhor. Se compararmos o rio de hoje com o de há 30 anos, ele está claramente mais saudável”, afirma.
O ambientalista explica que os patos-mandarim podem ter vindo de lagos ou jardins de outras cidades e encontrado no Lis um habitat favorável. “Poderão fixar-se e reproduzir-se aqui”, acrescenta, lembrando, no entanto, que se trata de uma espécie exótica, o que exige atenção para evitar desequilíbrios ecológicos.
Mais vida junto às margens de Leiria
Quem percorre as margens do rio, especialmente nas zonas mais centrais da cidade, já se habituou a observar uma diversidade crescente de aves. Além do pato-mandarim, é cada vez mais comum ver garças brancas e cinzentas, corvos-marinhos e o próprio pato-real, hoje um verdadeiro símbolo do Lis.
“Quanto maior for a diversidade biológica, mais rico é o ecossistema”, reforça Mário Oliveira.
Um rio mais vivo e uma cidade mais atenta
O ambientalista destaca ainda a importância da relação entre a população e a fauna local. “Se estas espécies se sentem confortáveis no centro da cidade, é porque criámos condições adequadas e existe sensibilidade das pessoas, que gostam de as observar e não as afugentam.”
O regresso da vida ao Rio Lis é, assim, um reflexo de um ambiente mais equilibrado e de uma Leiria cada vez mais consciente do seu património natural.