Marquise
Marquise traz à Porta um rock que navega entre décadas sem perder o fio à meada. A banda equilibra a sensibilidade pop dos 80s com o rasgão dos 90s, tudo temperado com uma desconstrução sónica bem contemporânea e poesia abstrata nos refrões.
“Ela Caiu” é o álbum de estreia lançado em 2025, que vem depois do EP que apresentaram em 2023. Canções orelhudas, rock duro e doce ao mesmo tempo, com uma voz que tanto derrete sobre tarolas marteladas como debita raiva sobre guitarras melosas.
Isto é Banda mesmo — coletivo puro, a forma de expressão que faz tanto sentido agora como quando surgiu.
Lavoisier
Nada se perde, tudo se transforma—e os Lavoisier levam isso literalmente para o palco. Patrícia Relvas e Roberto Afonso expandem o duo de quinze anos com três novos músicos, criando um quinteto que soa completamente diferente.
O projeto é curioso: para o álbum “era com h” (2025), convidaram dez poetas contemporâneos a escrever poemas que depois viraram canções. Alice Neto de Sousa, Filipe Homem Fonseca, José Luís Peixoto, Nástio Mosquito e outros nomes da atual escrita portuguesa ganham vida musical neste novo formato.
É uma aposta arrojada que resultou numa expansão sonora clara—aqui celebra-se a musicalidade e o gesto que existem na poesia de agora, transformados em algo que só funciona quando visto ao vivo.
Mike El Nite
Mike El Nite traz um set que não se deixa prender a um só género. Vai de clássicos românticos a temas festivos, com remixes energéticos e 100% dançáveis que passam pela música portuguesa—de Ágata à Santa Maria a Marco Paulo—até aos hits pop do momento.
DJ, host e entertainer, o tipo sabe como mexer com o público e com os ritmos. A curadoria é cuidada, a energia é contagiante, e a abordagem é moderna. Espera-se animação à séria no Palco Pousada, daquelas noites em que a pista não descança.
PMDS
Pedro Sousa e Filipe Caetano trazem “Música Para Miradouros” direto dos Açores. Um álbum gravado em plena natureza em São Miguel, onde o duo se meteu em quatro sessões espalhadas pela ilha, cada uma num local diferente.
O formato é radicalmente honesto: gravaram tudo em direto, sem volta atrás, sem edição depois. O que sai é o que fica. Isto muda completamente a forma como a música respira — sem possibilidade de retoques, a autenticidade do momento é tudo. Pura performance em contacto direto com a natureza.
MONSTERA
MONSTERA é um projeto onde Mara Lisboa e Júlia Jacinto exploram o que significa ser mulher hoje e ontem. Trazem para o palco uma mistura de sons eletrónicos, instrumentos acústicos e gravações recolhidas na rua — tudo para resgatar fragmentos da música tradicional portuguesa.
A voz, a palavra e a improvisação são armas de libertação aqui. Não é só ouvir: é uma performance que questiona, que move, que tira palavras do lugar onde estavam guardadas.
Se gostas de música que pensa, que se desconstrói e reconstrói no ao vivo, isto vale a pena.
Sensible Soccers
Os Sensible Soccers têm essa coisa de não caberem bem em caixinhas. Gostam de melodias pop, mas misturam eletrónica com sons mais orgânicos, criando temas que fogem ao esquema típico de canção—estruturas que evoluem, arranjos que se desenrolam devagar.
Durante 15 anos, consolidaram-se como uma banda de palco, tocando em clubes, auditórios e nos festivais sérios (nacionais e internacionais). Juntaram um público heterogéneo que continua a crescer.
Depois de quase um ano fora dos circuitos, regressam agora com a bateria carregada. Estão metidos na composição do quinto álbum de originais, que sai em setembro de 2026.
Candy Diaz
Candy Diaz é Ana Farinha a curar discos sem fronteiras. Fala uma linguagem musical que mistura congas, palmas e coros gospelianos com guitarras que arranham quando precisam.
A rumba cigana é o seu ponto de partida, mas aí fica. Salta do post punk ao dub, do jazz ao latin, sempre com a cadência psicadélica a puxar pelo pulso. O que move isto tudo é aquela sensação de pure dope—algo que ferve, que se faz notar, que não deixa ninguém indiferente.
Se procuras uma noite com discos que vão da banalidade à raridade, com som que respira fora dos trilhos normais, isto é o teu.
Rui Miguel Abreu (dj set)
Rui Miguel Abreu é jornalista de música (Expresso, Blitz, We Jazz Magazine), tem programas de rádio na Antena 2 e Antena 3, dirige a revista digital Rimas e Batidas e criou a Now Jazz Agora, label focada nos novos rumos do jazz.
Nos seus dj sets, explora jazz e as suas vizinhanças mais interessantes—hip hop, funk, sons de África e Brasil. Tudo em vinil de sete polegadas, escolhido de uma coleção que vai reunindo há anos. É daqueles sets que te faz descobrir conexões que não vias antes.
ESQUERDA
ESQUERDA é um projeto leiriense formado por Carolina Chora, Idalécio Francisco, Nuno Rancho e Rafael Traquino. A banda nasceu de um desejo comum: fazer música de intervenção que não se guarde na linguagem fácil.
Estamos a falar de som que quer responder às crises do agora, que se recusa a ser confortável. Música que tem coisas para dizer sobre o presente—sem filtros nem pedir desculpa por isso.
Se és daqueles que gosta que a música tenha algo a dizer além de soar bem, isto é para ti.
Cachupa Psicadélica
Lula’s cresceu em São Vicente, Cabo Verde, nos anos 80, viciado em rock de Seattle. Depois de se instalar nas Caldas da Rainha e passar por vários projetos, encontrou o seu som: uma mistura visceral entre as raízes cabo-verdianas e a psicodelia, que o levou a ser nomeado Artista Musical do Ano nos prémios “Somos Cabo Verde”.
Com dois discos no currículo — “Último Caboverdiano Triste” (2015) e “Pomba Pardal” (2019) — já colaborou com Branko, Flak, Mayra Andrade e Prétu-Xullaji. A Cachupa Psicadélica é o nome certo para descrever aquilo que este artista faz: pega na tradição crioula e transforma-a em algo completamente diferente, mas fundamentalmente dele.
No palco traz “Dônet Casada Côcada Quêjada”, o seu single mais recente.