Duas personalidades incontornáveis da música experimental e da improvisação unem-se agora em formato de dueto, após vários cruzamentos anteriores em diferentes contextos artísticos. O trompetista, compositor, artista visual e curador Yaw Tembe desenvolve uma prática marcada por uma investigação contínua sobre a fragilidade e a efemeridade, articulando som, imagem e pensamento num percurso multidisciplinar. Já Joana Guerra (que actuou no CMEP2021 em nome próprio e no CMEP2025 integrando o grupo Lantana) é uma compositora, violoncelista e cantora, que tem vindo a afirmar cada vez mais uma linguagem própria, alimentada por uma forte vocação colaborativa que atravessa a música, a dança e o teatro. No encontro entre o trompete e a eletrónica de Yaw Tembe e o violoncelo e a voz de Joana Guerra, emerge um território sonoro que propõe uma reflexão sobre o tempo como matéria em constante transformação, onde o passado e o futuro coexistem num equilíbrio instável. É neste campo de tensão entre matéria, memória e mutação que Joana Guerra e Yaw Tembe constroem uma estética muito própria, profundamente evocativa e em permanente devir.
Má Estrela é um projeto liderado pelo saxofonista Pedro Alves Sousa que se tem vindo a afirmar como um dos mais proeminentes da atual música exploratória portuguesa, situando-se na interseção entre a improvisação, a eletrónica e as culturas sonoras de matriz dub. Funcionando como uma formação aberta e mutável, o projeto reúne diferentes músicos e sensibilidades, assumindo-se como um espaço de criação coletiva em permanente transformação. A sua linguagem desenvolve-se a partir de uma reconfiguração do vocabulário do jazz, expandido através de processos de repetição, manipulação e espacialização do som entre texturas densas, pulsações arrastadas e camadas eletrónicas. A música deste colectivo mutante constrói um fluxo contínuo, onde o groove surge dilatado e reconfigurado, e onde as suas peças assumem um carácter processual, evoluindo como estados sonoros em constante mutação. A improvisação desempenha aqui, pois, um papel central. Ao vivo, apresentam-se como um organismo sonoro em construção, onde a dimensão performativa emerge da interação entre os músicos e transformação contínua da matéria sonora. Para assistir de mente aberta e espírito livre!