m|i|mo reabre com duas exposições imperdíveis: Fabião e stop-motion
O regresso do m|i|mo após a tempestade Kristin
A tempestade Kristin deixou marcas profundas em vários espaços culturais de Leiria, e o m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento foi um dos mais afetados. Fundado em 1996 e credenciado na Rede Portuguesa de Museus, o equipamento sofreu danos consideráveis durante o temporal de 28 de janeiro, obrigando ao encerramento imediato e a intervenções de emergência para proteger todo o espólio artístico.
A boa notícia? O museu está de volta. No dia 06 de junho, as portas reabrem ao público, mas desta vez com duas novidades que prometem transformar a experiência de visita.

Estúdio Fabião: uma viagem pela memória visual de Leiria
Um dos destaques da reabertura do m|i|mo é o novo núcleo expositivo «Estúdio Fabião – Uma memória coletiva». Esta exposição mergulha no universo de uma das casas de fotografia mais representativas de Leiria, construída pela família Fabião – José, Paulo e Francisco.
Durante várias décadas, o estúdio afirmou-se como um espaço central na vida social e cultural da cidade. O arquivo fotográfico que deixaram para trás é impressionante: rostos, famílias, transformações urbanas, acontecimentos marcantes e mudanças na paisagem leiriense ao longo do tempo.
A proposta é convidativa: revisitar o passado, reconhecer-se nele e refletir sobre o papel crucial da fotografia enquanto ferramenta de preservação da memória e construção da identidade coletiva leiriense.
Stop-motion em primeiro plano
A segunda grande novidade é a abertura de um espaço dedicado à técnica de animação em stop motion, inspirado no filme «Forbidden Room – O quarto proibido» dos realizadores leirienses Emanuel Nevado e Ricardo Almeida.
Os criadores doaram ao museu um notável conjunto de miniaturas e cenários que agora integram a programação expositiva do m|i|mo. Depois da estreia do filme em 2014, este acervo nunca tinha sido tão bem documentado e apresentado ao público.
m|i|mo: Conservação e preservação durante o encerramento
Enquanto permaneceu fechado, a equipa do m|i|mo realizou um intenso trabalho de higienização e conservação das coleções em reserva, garantindo a sua preservação a longo prazo. Cada peça, cada arquivo, recebeu atenção especial para permanecer intacto para as futuras gerações.
Celebrações e programação especial do m|i|mo
A reabertura coincide com o Dia Internacional dos Museus (DIM), no dia 18 de maio. O m|i|mo prepara uma visita guiada às 15:00 intitulada «A bonança pós-tempestade: oportunidades em tempos de portas fechadas», que funciona como uma antevisão do que espera os visitantes.
No mesmo dia, a partir das 21:30, o filme «Forbidden Room – O quarto proibido» será transmitido pelas páginas de Facebook e Instagram do museu, oferecendo uma prévia digital do novo núcleo dedicado à animação.
Informações práticas da reabertura
- Data de reabertura: 6 de junho
- Novos núcleos: Estúdio Fabião e exposição de stop-motion
- Visita guiada: 18 de maio, 15:00
- Transmissão filme: 18 de maio, 21:30 (redes sociais)
Villa Portela Renasce com ‘Corpo-Fantasma’: A Grande Volta da Arte em Leiria
Depois de meses fechado pelas consequências da depressão Kristin, o Centro de Artes Villa Portela (CAVP) volta a bater portas no dia 22 de maio com uma proposta particularmente simbólica. A exposição Corpo-Fantasma não é apenas um regresso à programação cultural — é um ato de resiliência que ressoa com a história recente do espaço e da cidade.
Uma Recuperação Profunda e Necessária
O complexo enfrentou intervenções estruturais de grande envergadura. Desde janeiro, técnicos trabalharam na reparação de estruturas, requalificação de espaços expositivos e reposição de todas as condições técnicas. Mas não foi apenas dentro dos edifícios principais que a ação foi intensa — nos jardins da Villa, mais de 150 árvores caíram ou sofreram danos, exigindo uma intervenção igualmente profunda neste espaço que é tão parte da identidade do lugar.
Corpo-Fantasma: O que Esperar
A exposição reúne obras de 28 artistas integrados na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), sob a curadoria de Marta Espiridião. Nomes como Cindy Sherman, Lourdes Castro, Mariko Mori, Adriana Proganó, Bruno Zhu e João Gabriel dão forma a um percurso que explora a espectralidade — o fantasma como metáfora do que passou e do que virá.
Pintura, escultura, fotografia e vídeo cruzam-se num trajeto livre e não linear. As obras habitam o território entre o visível e o invisível, onde a figura humana oscila entre presença e ausência. É, portanto, mais do que uma exposição: é um diálogo direto com memória, perda e renovação.

Por Que Esta Exposição, Agora?
A proposta não poderia ser mais acertada. O espaço recentemente recuperado amplifica a dimensão simbólica do projeto — a Villa Portela torna-se ela própria parte da narrativa sobre resiliência e transformação. Como refere Anabela Graça, vereadora da Educação e Cultura da Câmara de Leiria:
“estamos perante uma reflexão sobre memória, resiliência e futuro, valores que cruzam o próprio percurso recente deste equipamento cultural emblemático”.
Um Dia 22 de Maio Marcante para Leiria
A abertura de Corpo-Fantasma às 17h00 do dia 22 coincide com a celebração do Dia do Município — e com a reabertura de outros espaços culturais de peso, como o Castelo de Leiria. A data marca o início da reabertura faseada de equipamentos que a tempestade obrigou a encerrar.
Para além da exposição principal, a programação do dia inclui concertos (como Um Mozart sério e um saxofone que ri!, dos Solistas SAMP), uma exposição de escultura de Cristina Maria no Teatro José Lúcio da Silva, visitas orientadas no Castelo e atividades infantojuvenis. A noite termina com fogo de artifício sobre a cidade pelas 22h00.
Informações Práticas do Evento
Exposição: Corpo-Fantasma — Coleção de Arte Contemporânea do Estado.
Local: Centro de Artes Villa Portela, Leiria.
Inauguração: 22 de maio de 2025, às 17h00.
Curadoria: Marta Espiridião. Artistas destacados: Cindy Sherman, Lourdes Castro, Mariko Mori, Adriana Proganó, Bruno Zhu, João Gabriel e outros.
Nota: O espaço inclui jardins recuperados e dois edifícios principais com condições técnicas completamente requalificadas.
Castelo de Leiria renasce: reabertura marcada para o Dia do Município
O Castelo de Leiria está em plena transformação. Depois dos estragos provocados pela depressão Kristin, a autarquia leiria anunciou um ambicioso plano de obras para devolver este ícone patrimonial aos visitantes em 22 de maio, coincidindo com o Dia do Município.
Um plano de recuperação em várias frentes
As intervenções decorrem simultaneamente em diversos pontos estratégicos do castelo, incluindo a Casa do Guarda, Igreja da Pena, Cisterna e Paços Novos. A primeira fase, com duração prevista de 45 dias, terá um investimento aproximado de 100 mil euros, mais IVA.

A prioridade imediata é a recuperação da Casa do Guarda, que sofreu danos severos após ser atingida pela queda de uma árvore de grande porte. Este edifício é fundamental para receber e acolher os visitantes que procuram conhecer o monumento.
Preservar a história, reforçar a segurança
A Câmara de Leiria garante que todas as intervenções respeitam integralmente as características históricas do conjunto edificado. As obras incluem a substituição de elementos degradados e a requalificação de coberturas, mantendo a autenticidade arquitetónica que torna o castelo tão especial.
Para além de resolver os danos diretos da tempestade, existe um objetivo mais ambicioso: reforçar a resiliência do monumento face a futuros eventos climáticos extremos. Isto significa que o castelo sairá desta recuperação mais resistente e preparado.
Os Paços Novos e a Igreja da Pena em foco
Os Paços Novos, uma das zonas mais visitadas do castelo, também estão sob intervenção. Esta área, embora muito procurada, é particularmente exposta ao vento, o que exigiu reparações urgentes na cobertura. A Igreja da Pena, por seu lado, recebe uma operação crucial de preservação, dada a sua importância patrimonial.
Até ao final de 2026, está ainda prevista a recuperação da muralha do alambor do último reduto e a requalificação paisagística dos espaços verdes, num plano mais alargado de reabilitação.
Um símbolo que regressa ao coração da cidade

O Castelo de Leiria foi o monumento mais visitado do concelho em 2025, com impressionantes 121.371 entradas. Encerrado desde a passagem da tempestade Kristin, a sua reabertura representa bem mais do que uma simples questão infraestrutural: é a devolução de um dos principais polos de identidade e atração turística da região.
A reabilitação deste monumento nacional é descrita como um passo decisivo na reposição das condições de segurança e conservação, restituindo à população e visitantes um dos mais emblemáticos símbolos patrimoniais da região.
Informações práticas sobre as obras
Reabertura prevista: 22 de maio de 2026 (Dia do Município)
Primeira fase: 45 dias de execução, aproximadamente 100 mil euros (mais IVA)
Áreas em intervenção: Casa do Guarda, Igreja da Pena, Cisterna, Paços Novos, muralhas e espaços verdes
Objetivo: Recuperação de danos e reforço da resiliência do monumento nacional